Quem me conhece sabe da minha admiração por Mike Wazowski do filme Monstros S.A.(2001), filme antigo, eu sei! Mas incrivelmente atual quando pensamos em inovação dentro do velho mundo corporativo.
Mike é o monstrinho fofo que sonha em ser assustador e famoso. Para isso, estuda todos os livros, aprende tudo o que é possível aprender. Conhece a teoria, as técnicas, as estratégias. Mesmo assim, não consegue ocupar o lugar de destaque que tanto deseja, pois naquele sistema, não adianta ter conhecimento se a “aparência” não corresponde ao que o mercado espera. E é aqui que a história fica interessante.
Embora não seja o monstro ideal para os holofotes, Mike é o cérebro por trás do sucesso de Sulley. Ele é estrategista, organizador, motivador. Ele treina, corrige, planeja, sustenta. Ele enxerga potencial antes mesmo que o outro perceba. Mike é a alma do negócio!
No mundo corporativo, estamos acostumados a celebrar quem aparece no palco, quem fecha contratos, quem lidera reuniões, quem recebe aplausos. Mas raramente olhamos para quem está nos bastidores garantindo que tudo funcione.
O coach verdadeiro muitas vezes ocupa esse lugar silencioso, pois não precisa ser o protagonista, mas sim garantir que o protagonista esteja pronto.
Ele organiza a estratégia emocional, ajusta rota, sustenta quando a confiança falha e lembra o outro de quem ele é quando o medo aparece.
Mike talvez nunca fosse o “assustador” perfeito segundo os padrões da empresa. Mas ele era o catalisador da excelência. Sem ele, Sulley não brilharia como brilhava.
Existe uma liderança que não busca palco, busca resultado. Existe uma inteligência que não quer aplauso, quer evolução.
E talvez a grande inovação proposta por Monstros S.A. não esteja na energia das risadas, mas na quebra do modelo tradicional de mérito: nem sempre o mais visível é o mais essencial.
Há poder nos bastidores. Há protagonismo na construção do outro.
E, no fim, talvez o verdadeiro sucesso não esteja nos holofotes, mas na capacidade de formar gigantes.