O filme A Praia (The Beach, 2000) está na minha lista de favoritos. É baseado no livro de mesmo nome, de Alex Garland (1996). O protagonista, Richard, um jovem viciado em videogame, segue uma jornada perigosa em busca de um paraíso que não tem relação com ideais religiosos, mas sim com uma praia de águas transparentes e areia branca, claro, inacessível ao público.
Para chegar até ela, é preciso enfrentar vários perigos: resistência, medo, culpa e morte. Por fim, ele encontra a praia, mas descobre que não é possível permanecer ali para sempre. E quando surge a necessidade de escolher entre a vida de um colega e o sonho coletivo dos que ali habitam, o paraíso se transforma em inferno.
O filme termina com a seguinte reflexão de Richard, depois de ser “expulso”:
Eu continuo acreditando em paraísos, mas agora sei que não são lugares que podem ser encontrados, e sim algo que você sente por um instante na vida, quando faz parte de alguma coisa.
Já aconteceu com você de voltar a um lugar que um dia achou incrível e não sentir mais graça nenhuma? Talvez o lugar tenha sido especial dentro de um contexto da sua vida. Pode ser até que você estivesse sozinha(o), mas fazia parte de um momento — ainda que, naquele instante, estivessem apenas você, o mar e a lua, você conseguiu ser parte da natureza.
Pois bem, se Richard estiver certo, você não precisará ir à Tailândia para encontrar esse paraíso: poderá encontrá-lo a custo zero. Por outro lado, a responsabilidade deixa de ser da praia e passa a ser sua. Afinal, você pode “sentir” o paraíso em qualquer lugar.
Você já sentiu o paraíso alguma vez na vida?
Fazendo essa pergunta a algumas pessoas, percebi que, geralmente, o paraíso é o oposto daquilo que se vive ou se tem. Por exemplo, se você mora em um grande centro urbano, talvez o seu paraíso seja a praia.
Para Richard, a praia só era um paraíso porque ele se sentia parte dela. E como fazemos para nos sentir parte de algo especial?
Deixo aqui uma pista: é preciso dar significado à vida.
Se analisarmos o grupo que habita a praia no filme, são pessoas diferentes, de lugares remotos e com propósitos distintos, mas todas têm algo em comum: abandonaram suas vidas para estar ali. Entregaram-se à praia e, por isso, tornaram-se parte dela.
Uma vida sem encanto não motiva ninguém. Precisamos de paraísos para manter o brilho nos olhos. A fascinação pela vida é o que a torna interessante, gostosa de viver.
Você se lembra dos seus paraísos?
O inferno e o paraíso estão dentro de nós. Qual você escolhe viver hoje?
Lu Moura