Sempre escrevi na minha vida. Quando era criança nas aulas de educação física, fosse o momento feliz ou triste. De confusão ou clareza. Nunca mostrava para ninguém o que escrevia.
Escrevi também na vida adulta, inclusive profissionalmente.
Mas sempre tive textos que nunca mostrei para ninguém…já faz um tempo que sinto vontade de compartilhar, mas nunca foi simples! São aqueles momentos da vida em que você tem que pular na piscina, mesmo se a água estiver gelada, se você não souber nadar, ou não estiver usando roupas de banho.
Iniciei então a reflexão sobre o caminho que trilharia para escrever: temas específicos têm maior probabilidade de sucesso, então fiquei tentando eleger um, entre meus tantos interesses. Claro que eu não consegui.
Depois caí na armadilha da persona: quem sou eu para me propor a falar sobre tal tema? Quando eu já tinha me questionado a ponto de desistir do projeto me fizeram uma sugestão desafiadora: E se você fosse você mesma?
Eu precisaria de muita coragem para ser eu mesma! E esta não veio de imediato.
Inícios a parte, meu foco hoje é outro assunto.
Fato é que, eu nunca estive satisfeita com minha escrita, e no anseio de fazer algo a respeito comecei a pesquisar sobre o assunto. Encontrei muitas coisas: curso de redação grátis, curso pago, textos, dicas etc. Nada mudou minha vida.
O que realmente fez diferença foram as palavras do Prof. Ortiz “Quando escrevemos temos de fazer uma ligação, primeiro com o nosso interior, e, em seguida, com os outros… Portanto, comunicação é sinônimo de interiorização, contato consigo mesmo, e então troca, comunhão, universalização…se geralmente temos tanta dificuldade para redigir é porque também a temos para descer ao nosso interior psicológico…”
Quando temos que escrever sobre algo, pesquisamos no google, perguntamos para as pessoas, recorremos à todas as fontes possíveis, mas dificilmente olhamos para dentro de nós mesmos e perguntamos: O que sinto em relação a este assunto? Eu fiz isso poucas vezes, justamente aquelas em que alcancei sucesso.
Escrever exige entrega, mais do que coesão e coerência, seu texto precisa de uma alma.
E para dar uma alma ao texto é preciso ter coragem, a mesma coragem que você precisa para ser você mesmo(a).
Por que é tão difícil ser autêntico? Por que isso não te garante nada!
Quando criamos uma campanha de marketing, um produto, um site, a primeira coisa a questionar é: do que exatamente o público-alvo precisa? O que eles gostariam de ver/ ter? Qual o melhor caminho para agradar o público? Qual o caminho mais curto para chegar à aceitação/adesão?
Mesmo sem conhecer estes princípios, agimos automaticamente desta mesma maneira quando o produto somos nós. Nos adequamos ao público-alvo, de forma consciente ou inconsciente. Seguimos as tendências da moda, da personalidade, fazemos de tudo para parecermos interessantes, bonitos e perfeitos. Queremos ser aceitos.
Ou você acha que todos irão te admirar se você deixar claro que discorda deles? Não!
A coragem de ser você mesmo(a) implica em risco de solidão, e sozinho ninguém quer ficar. Ainda que o preço para ter companhia seja abrir mão de tudo que você considera verdadeiro.
Lu Moura